Tag Archives: não me mexam nos jpegs

Fotografia de Diana Arbus de um cinema em Nova Iorque

Diane Arbus – Audiência dum cinema da 42nd Street (Nova Iorque, EUA, 1958)

Dizer que o cinema é vinte e quatro fotografias por segundo, é simultaneamente uma verdade e uma enorme insuficiência. O essencial dum bom filme situa-se frequentemente à margem do que é mostrado, no espaço narrativo ou poético exterior às imagens. Igualmente, uma fotografia não é apenas uma amputação dum movimento, um segmento dum seccionamento de […]

Fotografia de Diogo Margarido com um homem idoso, de costas, a descer umas das estreitas ruas de Castelo de Vide

Diogo Margarido – Castelo de Vide, Portugal (1982)

A fotografia de Diogo Margarido é muitas vezes um exercício pessoal de entendimento de Portugal, do relacionamento com um país em modernização, por vezes apressada, por vezes renitente, de que ele próprio era agente, enquanto profissional do sector industrial. Como muitos outros no Portugal daquele período, Diogo Margarido é um homem nascido numa família com […]

Fotografia de Voula Papaïoannou com mulheres gregas a carregar pedras

Voula Papaïoannou – Mulheres carregando pedra, Grécia (cerca de 1945)

Voula Papaïoannou possivelmente não será dos nomes mais falados da fotografia, mas é sem dúvida uma autora que urge conhecer. A fotógrafa grega, que começou por uma aproximação à fotografia através da paisagem e da captura da riqueza arqueológica do seu país natal, começou com o início da segunda guerra mundial a fotografar com fulminante empatia […]

Artur Pastor, Salineiras a carregar o sal, Faro, Portugal

Parece ser impossível nestes dias, e felizmente, não falar em Artur Pastor. O fotógrafo, que foi um registador sistemático de Portugal entre os anos quarenta e noventa do século passado, tem agora uma espécie de retorno a casa com a exposição “Artur Pastor e os Mundos do Sul”, inaugurada ontem no Museu Municipal de Tavira. […]

Diogo Margarido, Benção dos borregos, Castelo de Vide, Portugal, 1972

Entre as culturas animistas, são frequentes as cerimónias em que se agradece aos espíritos da natureza o usufruto da sua riqueza. Os humanos alimentam-se dos frutos e dos seres do mundo, e é pertinente esta homenagem, não vão os espíritos zangarem-se e recusarem a abundância necessária. Nalguns casos, a cerimónia tem mesmo o carácter dum […]

Alexander Gardner, João Maria Celestino, EUA, 1865

Há uma velha e estranha crença, aqui pelo pequeno rectângulo ibérico, que assegura que em qualquer lugar do mundo, em qualquer confusão, há sempre um português. Quando no final da guerra civil americana, se dá o assassinato do presidente Lincoln e alguns atentados falhados associados, é levada a cabo uma intensa operação policial que culmina […]

Artur Pastor, Mulher com bioco, Olhão, Portugal, 1943-1945

O bioco, emblemático elemento da indumentária das mulheres do povo da zona de Olhão, foi comum até meados do século passado. Há registo de desagrado das autoridades, e até de tentativas de repressão por, nos finais do século dezanove, o considerarem um anacrónico vestígio da dominação muçulmana do Algarve. Aos olhos do poder, o anonimato […]

Graciela Iturbide, Imaculada, Xochimilco, México, 1984

No entendimento do tempo, tende-se a teorizar que há duas concepções que estruturam as culturas. Por um lado, tem-se o chamado tempo cíclico, frequentemente considerada a noção de tempo original. As culturas primitivas, dominadas por ciclos naturais como os das estações ou das migrações animais, tenderiam a considerar o tempo como uma eterna repetição. A […]