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Roteiro: Oculus Station, Ground Zero, One World trade Center Observatory, Wall Street, travessia a pé de Brooklyn Bridge

Acordei a agradeci por estar ali e com vontade de dar um abraço sem dimensão a NYC!!
7h28m e a cidade acordou enublada, invernal. Olho pela janela e os arranha céus ainda se estão a despedir da noite visto que as luzes destes ainda estão ligadas e se vão desligado aos poucos…
Resolvi fazer um Time-Lapse
Rotina matinal… check, gadjets… check.
A “artilharia pesada” à qual eu chamo roupa, hoje com mais camadas, pois os “senhores” dizem que vai estar ainda mais frio…
8h48m precisamente, e já estamos a descer o elevador totalmente envidraçado do hotel.
Pequeno almoço… check, e hoje para além de estar a desfrutar da cidade, estava também embevecida com a descontracção da nossa “vizinha da frente” que aproveitava o tempo para se maquilhar com o Starbukcs apinhado de gente.

É encantador o modo como os americanos agem no seu dia a dia, pois algo deste género em Portugal era completamente impossível e constatado, com toda a certeza… chamemos-lhe cultural! Está mesmo muito frio… descemos ao Subway, retiramos o bilhete do metro nas caixas automáticas e avançamos em direcção à linha que nos levará rumo ao destino de hoje. Chegou o nosso metro – World Trade Center.

Saiu muita gente nesta estação e logo que o caminho ficou livre, entramos nós, numa carruagem muito colorida pintada de cores muito vívidas, com o contorno dos edifícios mais conhecidos de NYC!!

Foi uma verdadeira “desgarrada” a viagem entre mim e o metro. Visto querer fotografar todos os pormenores e com este em andamento, que vão desde as oscilações, curvas, o para-arranca, fez de mim uma verdadeira equilibrista… mas consegui!!
A carruagem ia com pouca gente… fizemos, eu e o MM, a “festa” ao tirar fotos enquanto podíamos e conseguíamos.
É algo que admiro nos nativos americanos, são pessoas tranquilas, que aparentemente não julgam as pessoas.
Estão no seu “mood”, uns dormem, e 99% deles agarrados aos telemóveis, nós a tirar fotos como se não houvesse amanhã… é isto que também gosto em NYC, ninguém está preocupado como estás vestido, que mala usas, que calçado tens… gente tranquila que só quer estar bem rumo à sua vida e objectivos… o resto é secundário!!
Óptimo, adoro pessoas assim, os europeus são completamente o contrário… tudo é registado, ou seja, ironicamente cultural mais uma vez!!

A jornada fotográfica de hoje vai ser longa, mas estamos preparadíssimos… assim o frio não nos congele os dedos!!

Saímos e somos novamente presenteados com a Oculus, estivemos de novo a contemplar a sua beleza, mas tínhamos de continuar. Ao sair da estação até chegarmos ao One World Trade Center, a quantidade de enquadramentos, contextos, cenários, molduras, panoramas, jogos fotográficos, acções dos nativos que tornam o nosso processo fotográfico, é de tamanha riqueza que ficamos rendidos a “estacionar” por aqui mais algum tempo do que o previsto, é uma dádiva esta paragem, uma bênção este lugar de culto e respeito.

Ground Zero, faz parte do World Trade Center Memorial, assim como o 911 Memorial & Museum.
Com uma área de 65.000 metros quadrados e situado em Lower Manhattan, as duas gigantescas fontes, ficam exactamente no lugar onde se situavam as Torres Gémeas antes do atentado e onde aproximadamente 3 mil pessoas perderam as suas vidas…

Arrepiante de tão imponente, nobre, magnificente… e tão simples… sentimo-nos ali em paz… em silêncio… em respeito… contraditório este sentimento… mas foi precisamente e semelhante ao que senti em 2015… Lugar épico e solene onde o barulho da água a correr impede que a “vida pare” para todas as pessoas cujo os nomes estão ali gravados nos dois quadrados de bronze…

É um “apelar” ao mundo para que continuemos a viver… não parar!! Estes dois lagos de Vida também têm o nome de “Reflecting Absence” que se traduz em “Ausência Reflectida”… reflectida e jamais esquecida pelo mundo!!
Neste parque ocupado por árvores, todas são carvalhos excepto uma – uma pereira, a árvore sobrevivente, daí o nome “The Survivor Tree”. Esta ficou muito danificada devido aos atentados. Foi retirada do entulho no dia 1 de Outubro, onde o Departamento de Parques da cidade de NYC “cuidou” dela, sendo replantada em 2010 no Memorial.
Imperdível esta árvore, assim como o é observar os seus troncos, onde visivelmente se observa o antes e o pós atentado… muito curioso o poder da sobrevivência, resistência e renascimento… uma lição!!

Este lugar dá-nos força e silêncio interior, é um lugar de foco, um lugar perfeito para nos “zerarmos” e consciencializarmos das coisas realmente importantes e consistentes da nossa vivência por “aqui”!!

Alerta para quem tem patologias da coluna cervical, a cidade de NYC é terrível, andamos na rua sempre a olhar para cima, mas ainda conseguimos estar sem nenhuma mazela, o táxi amarelo ainda não nos atropelou…

Em direcção ao One World trade Center Observatory, também conhecida como “Freedom Tower” (Torre da Liberdade), é agora considerado o edifício principal do novo complexo do World Trade Center. É o edifício mais alto de NYC com 541,3 metros na sua totalidade, 104 pisos, com arquitectura contemporânea e pós-moderna, com estrutura em betão armado e aço. Foi desenhado pelo Arquiteto David Childs e esteve em construção desde 27 de Abril de 2007 até 2013. A sua abertura deu-se a 3 de Novembro de 2014.

Retiramos o bilhete e somos dirigidos para um departamento onde somos revistados, tal e qual como no aeroporto… tirar tudo, muitas vezes aclamado pelos policias aí presentes – mais uma vez “tudo normal”!!

A subida até ao centésimo andar no elevador, é alucinante e elucidativa da evolução da cidade de NYC, desde os seu primórdios até aos dias de hoje… impossível acabar esta viagem e não dizer “foi brutal”!!
Já cá em cima pensamos, “como somos tão pequenos”, mais uma vez colocamos tudo em causa e surgem os “porquês”…
Vista alucinante e estupidamente grandiosa, pois vimos a cidade de NYC numa perspectiva a 360º com 80 Km de alcance e contemplação.

Nesta cidade, onde quer que vamos, somos constantemente questionados interiormente acerca da nossa existência. Como é possível tamanha visão? Desfrutar a cidade de cima é algo que nos eleva a um nível “superior”, de tão pequenos que somos.

Inevitavelmente, quando estamos a observar a cidade, tanto eu como o MM não conseguimos deixar de imaginar como os dois aviões irromperam pelas duas torres gémeas… Aqui as fotografias são só para recordar uma vez que o edifício é todo envidraçado, não existindo mirante ao ar livre para se fotografar.

Mas a experiência de termos subido mais uma vez, vale o que vale…
A descida foi mais uma injecção de adrenalina com a qualidade e modernismo da projecção a 360º acerca de uma NYC moderna.

Downtown, em direcção a Wall Street, é considerado o coração histórico do actual Distrito Financeiro, onde se localiza a Bolsa de Valores de NYC, a mais importante a nível mundial. Muitos filmes foram aqui gravados com os actores bem conhecidos do século XX e XXI – exemplo disso o filme “Wall Street – Money Never Sleeps”, dirigido por Oliver Stone, com Michael Douglas, onde surgiram excelentes críticas pelo seu desempenho, arrebatando um Óscar de melhor Actor. Mas existem muitos mais…
Mais uma caminhada onde olhado para trás, para o One World Trade Center parece curta… mas não!!

Sem ser em Times Square, nunca vi tantos paparazzi juntos, com filas inclusive, para fotografar o poderoso e distinto Touro em bronze que mede 3,4 metros de altura, 4,9 metros de comprimento e pesa 3,5 toneladas. Idealizado por Arturo di Módica, está localizado em Bowling Green Park e segundo a lenda quem esfregar a mão nos seus chifres, focinho, ou até mesmo nos seus testículos, é presenteado com sorte, prosperidade e dinheiro… lenda urbana que temos de respeitar pois é o maior símbolo do poder do mercado financeiro de Wall Street.

Almoçamos, aquecemos, e vamos então iniciar a nossa caminhada pela icónica Brooklyn Bridge.

Brooklyn Bridge é uma ponte suspensa por cabos de aço que liga Manhattan a Brooklyn, fluindo o East River por debaixo. Foi construída entre 1869 e 1883 e tornou-se, pela sua imponência e arquitectura, uma das grandes referências e ícones de Nova York.
É conhecida no mundo inteiro e tratada como sui generis, quer pela sua história quer pela sua construção… 14 anos foi o tempo de duração da construção da ponte até ser finalizada. A importante obra foi liderada pelo engenheiro John August Roebling, o qual optou que ela fosse feita em aço em vez de ferro, à altura uma escolha certeira pois, caso contrário, a ponte poderia não ter sobrevivido aos desgastes do tempo. Actualmente, é umas das mais grandiosas construções de NYC, com um importante papel e elevado simbolismo para os americanos. Numa das placas que se encontram na ponte lê-se “Back of very great work we can find the self-sacrificing devotion of a woman”.

Principal meio de acesso entre o Brooklyn e a ilha de Manhattan, a Brooklyn Bridge é cruzada diariamente por mais de 120 mil veículos e 4 mil pessoas. A travessia de 2 km pode ser realizada a pé e de bicicleta, assim e deste modo conseguimos usufruir de todos os pormenores que vão desde a construção da ponte, panorama da região, tráfego rodoviário, e os fotográficos, obviamente.

Eu e o MM mais uma vez “separamo-nos” fotograficamente, e mais uma vez andámos à procura um do outro. Está muito frio e vento, com o céu a convidar a chuva a cair sobre nós… e não é que caiu? Mas sobrevivemos, aliás, somos uns sobreviventes de viagem pois a motivação apesar dos quilómetros já percorridos continua ao mais alto nível assim como os arranha céus de NYC!!
Temos de ter um cuidado imenso, principalmente para quem vai fotografar, uma vez que a ponte está dividida em zona pedestre e zona de ciclovia. Com a tamanha emoção, por vezes entramos na zona de ciclovia e somos para além de quase que atropelados, insultados com “meiguice” pelos senhores das bicicletas… Resistimos, superámos o dia e voltamos à cidade de coração cheio, com cartões da máquina completamente “full”, mais cartões houvesse… telemóveis sem bateria, mesmo com o apoio do power bank.
Thanksss legs!! Conseguiram também aguentar o nosso corpo e a nossa teimosia fotográfica. Acho até que me torno cansativa, mas não me travo em dizer que vivia nesta cidade com grande facilidade. Tudo aqui parece mais fácil!!
O segredo é não parar, como em tudo na Vida!!

Jantamos e como não poderia deixar de ser – Times Square.

We are lovers of the city…

@patrinica