Sobre Skye e sobre viajar…

Tenho a felicidade de já ter viajado alguma coisa e de já ter visto muitos locais fantásticos espalhados pelo planeta. Não obstante, há uma meia-dúzia deles que são locais muito especiais e que, passe o tempo que passar, veja eu o que puder um dia ver, estarão para sempre guardados num local de destaque nas histórias que espero um dia contar aos meus netos e ainda viver com as minhas filhas. Viajar, mesmo que na pele de alguém que vê na fotografia a melhor das razões para o fazer, é sobretudo uma forma de colecionar experiências, criar memórias e construir histórias. Se pensa que um fotógrafo viaja apenas pelo registo fotográfico propriamente dito, como se tudo o resto não passasse de simples decoração, desengane-se. A única diferença é que nós, os tais fotógrafos, expressamos por imagens a interpretação da realidade que nos é oferecida sem filtros.

Todos os locais possuem algo de especial, concordo, mas há uns que são mais especiais do que outros. A Ilha de Skye, sem prejuízo de qualquer outro destino, é um local mágico e fortemente carregado de pontos de interesse que tornam qualquer visita em algo verdadeiramente singular. Qualquer fotógrafo de paisagem que se preze, tem a Ilha de Skye como referência. Em termos de paisagem natural é dos locais mais fascinantes da Europa e, mesmo considerando que quase toda a Escócia frui de uma beleza natural muito acima da média, a Ilha de Skye consegue estar uns degraus ainda mais acima. Naturalmente que a ilha goza hoje de uma popularidade que roça a “moda” e muita gente só a visita porque fica muito bem no Insta. É verdade que ilhas como Canna, Islay, Jura, Mull, entre outras do grupo que compõem as Hébridas (interiores e exteriores), possuem uma beleza igualmente admirável, mas provavelmente nenhuma delas consegue apresentar uma tão grande selecção de pontos de interesse.

Li há dias num artigo sobre Skye que dois dias chegariam perfeitamente para explorar toda a ilha. Daqui posso concluir uma de duas coisas: “explorar” significa tirar umas fotografias da janela do carro e parar em Portree para fish & chips ou, alternativamente, a pessoa que o escreveu nunca lá colocou os pés.

Assim muito por alto, subir a Old Man of Storr numa madrugada de neblina e uma outra vez ao fim do dia para aproveitar a luz residual, ir a Quiraing e fazer um dos trilhos de subida, explorar The Fairy Glen, subir em direcção ao Blà Bheinn, admirar as Black Cuillins desde Sligachan, não perder o pôr do sol de Neist Point e, porque não, parar um bocado em Portree – as fish & chips locais não são muito famosas – leva bem mais de dois dias. Isto para não expor completamente o itinerário que temos desenvolvido para a viagem fotográfica a Skye e que contém viagens de barco, saídas de madrugada e chegadas à hora de deitar o corpo na cama. Contém tanta coisa boa que não cabe certamente em dois dias. Bem sei que muitas das viagens de hoje se fazem num propósito de check-in rápido numa ávida procura de troféus de social media, mas é exatamente por isso que existem hoje agências como a Viewpoint por esse mundo fora. Os nossos objetivos são muito simples: dormir pouco, poucas (ou nenhumas) esplanadas e cafés, caminhar q.b., ver tudo o que pudermos ver, absorver tudo o que pudermos absorver, fotografar tudo o que conseguirmos. Com pressa? Nem por isso. Numa espécie de slow travel, numa busca da beleza de cada local e menos em busca de posts de Facebook ou Instagram stories. Os desejos de um fotógrafo são simples. Aliás, os fotógrafos são, regra geral, seres simples que procuram coisas simples numa continuada luta por excluir do quadro o que é supérfluo e não numa guerra que visa incluir tudo o que lá possa caber. Fotografar é sobretudo selecionar! Fotografar é um processo de exclusão, mais do que é de abarcamento.

Voltando a Skye, porque teremos oportunidade para este tipo de devaneio noutros textos, convém esclarecer que é realmente um dos destinos mais interessantes em termos fotográficos com que me deparei nos últimos anos. A Escócia – que visitei pela primeira vez em 2002 – e em particular esta pequena ilha a noroeste da capital Edimburgo, possui uma enorme paleta de cores que se transfigura e renova a cada estação, deixando que cada período do ano nos dê a conhecer uma nova Ilha de Skye, com novos motivos de interesse, com novas cores, detalhes e oportunidades. Skye é, também do ponto de vista fotográfico, um destino que consegue agradar aos mais conservadores e seguidores de uma linha mais clássica de abordagem à fotografia de paisagem, mas que também agrada, e de que maneira, aos seguidores das novas abordagens à fotografia de locais, com ou sem humanos vestidos de casacos coloridos para servir de escala.

Dimensão, orografia e características do terreno na Ilha de Skye

Skye, com os seus pouco impressionantes 1656Km2, por exemplo bem inferiores aos 2255 Km2 do distrito de Viana de Castelo, consegue apresentar uma variedade muito considerável de motivos de interesse fotográfico, também porque muito desta ilha se descobre em plano inclinado. O terreno de Skye é acidentado e espaço é coisa que não sobra quando falamos de estradas e circulação rodoviária. Como fotógrafo só posso aconselhar um tipo de viatura a quem não está habituado(a) ou habilitado(a) a estas andanças de conduzir à esquerda, em estradas com um piso muito irregular e tantas vezes apenas larga o suficiente para uma viatura.

O tipo de viatura que aconselho é o “pequeno”. Na viagem fotográfica da Viewpoint, conduzimos viaturas de 9 lugares porque nesta altura já conhecemos a maior parte das zonas realmente perigosas – e que são algumas – em Skye, sabemos a que velocidade podemos e devemos circular e, porque sobretudo, gerimos todos os horários com antecipação suficiente para nunca andar à pressa à procura de um POI, de um supermercado, de um atalho, etc.

Muita atenção à cortesia na circulação rodoviária em Skye. Existem centenas de “zonas de guarda” que são compostas de um pedaço de terreno para onde deve desviar a sua viatura no cruzamento com viaturas que circulem em sentido contrário. Seja cortês. Nunca arrisque passar ao mesmo tempo que a outra viatura. Trave e arranque com cuidado, estas zonas de cruzamento estão sempre mais sujas que a estrada propriamente dita e, consequentemente, poderá mais facilmente derrapar. Quando alguém parar para que possa passar, seja educado(a) e agradeça. Toda a gente o faz, nem que tenha de repetir o gesto umas 500 vezes por dia.

Como pontos muito delicados da condução em Skye, mesmo quando falamos de viaturas de 5 lugares, temos: a subida ao Quiraing. O troço final da subida, numa 9 lugares, deve ser feita com a 2ª engrenada e sempre preparado(a) para engrenar uma posição de caixa que lhe garanta ainda mais “força”. Acertou! A primeira. Há duas curvas muito perigosas, tanto em subida como em descida. Segundo ponto: o trajecto todo até Neist Point é relativamente complicado, sobretudo porque o regresso é quase sempre feito de noite já que toda a gente quer aproveitar o pôr do sol neste local. Muito cuidado. O piso é irregular, completamente esburacado, as curvas são perigosas e a iluminação é zero! Muita atenção ao cruzamento da via por animais. Os coelhos nesta zona não são assim tão pequenos. Terceiro ponto que quero destacar – e vou ficar por aqui porque a lista é longa – é o trajecto para Elgol. Há zonas relativamente delicadas mas é à chegada que costumam ocorrer mais problemas. A descida para o porto é feita com primeira engrenada e travão de pé a cerca de 75% no caso de uma viatura mais pesada. Lembre-se que se conduzir uma carrinha de 9 lugares carregada de fotógrafos e respectivos equipamentos, digamos um total de 8 pessoas, acrescenta mais de 700Kg ao peso bruto do veículo. Muito importante neste tipo de troço rodoviário.

A última vez que estive em Skye com um grupo de fotógrafos, deparei com um automóvel que tinha capotado pouco tempo antes da nossa passagem e logo à entrada da ilha, numa zona que nem sequer se pode considerar perigosa. A questão é que uma qualquer distração de 1 segundo pode significar um acidente grave, em Skye esse segundo é algo impensável. Recuperar de uma ligeira saída de estrada, sobretudo com o tipo de bermas que há em Skye, é uma tarefa que mesmo a 60Km/h pode ser impossível.

De resto, em termos de caminhada e porque de terrenos acidentados vive o fotógrafo de paisagem, deverá ter cuidado com a boa dose de lama que Skye possui. Subir até ao Old Man of Storr só se torna numa tarefa cansativa quando chegamos à “zona dos degraus” que está sempre carregadinha de lama, sendo que o pico do verão será a exceção para este estado. Mas quem lá quer ir no pico do verão? A alternativa à lama são os terrenos circundantes cobertos de vegetação, também ela excelente para uma descida rápida sentados no chão! Não pensem que exagero. Já vi gente a cair, já vi gente a aleijar-se e já eu próprio escorreguei em duas vezes alturas diferentes no Storr. Uma por ter facilitado na abordagem, uma segunda porque o monopé do qual fiz bastão de caminhada, se fechou inesperadamente. Também em Quiraing deverá abordar a caminhada com algum cuidado, em especial se estiver a chover ou se o terreno estiver molhado. Como fazemos o ataque ao Quiraing a partir das 06:00 – saindo do alojamento às 4:30 – é muito normal apanhar terreno húmido, molhado ou mesmo encharcado. Também neste local e por um descuido mínimo, já vi gente a escorregar e a correr o risco de se magoar seriamente.

“Se viajar connosco, preste toda a atenção aos guias que lhe faremos chegar antecipadamente e ouça também com toda a atenção todos os briefings que fazemos para cada dia da viagem fotográfica. Se optar por não os seguir estará por sua conta e risco.”

Continuemos então a abordar algumas das questões relativas aos perigos naturais que apresenta cada um dos POIs, tendo sempre em conta que também atravessar a estrada à frente de sua casa apresenta um determinado grau de perigosidade, sobretudo para quem não está habituado(a). Posto isto, gostaria também de mencionar que Neist Point pode ser um ponto delicado. A paisagem é única, a vista do fim de dia é tão impressionante como qualquer ocaso em Oia, mas a escarpa e a verticalidade da mesma, devem ser abordadas com extremo cuidado. Escorregar é fácil, tropeçar também. Neist Point é um local de onde só se cai uma vez! O facto de a maior parte das pessoas o tentarem visitar ao fim do dia, com uma boa dose de cansaço acumulado e com um grau de confiança acima do recomendado, leva a que muita gente tenha apanhado grandes sustos.

Depois há questões que só fazem sentido serem abordadas em viagens fotográficas que incluam subidas a Munros, sabendo de antemão que cada um deles apresenta dificuldades e caraterísticas muito específicas. Alguns deles serão apenas um desafio à altura de trepadores experimentados. Nas viagens fotográficas da Viewpoint imprimimos um pequeno “vislumbre” desta realidade em dois locais, mas por questões óbvias de segurança, não podemos levar o nosso grupo de participantes ao topo de nenhum Munro.

Equipamento fotográfico

Objectivas

Claro que não poderia escrever um guia de Skye para fotógrafos sem mencionar questões particulares de equipamento fotográfico. Afinal de contas, muito do sucesso de uma viagem fotográfica passa necessariamente por um bom planeamento prévio e de uma boa gestão de equipamento. Começo inevitavelmente pela questão mais usual nestas andanças: “que objetivas devo levar?”; “Com a objectiva x ou compro a y?”; “Vou precisar de mais do que isto?”.

Bom… comecemos pelo mais importante. A minha opinião, relativamente a comprar novo equipamento só para fazer uma viagem, é que é absolutamente despropositado, a não ser, claro, que seja apenas uma forma de “convencer” a sua cara metade acerca da “necessidade” de fazer esse investimento. De resto, tudo aquilo que vai gerar é “amargo de boca”. Não estará habituado(a) ao equipamento, não conhece as particularidades da objetiva e da relação com a câmera que vai usar. Até o manuseamento fica afetado! Pense bem se vale a pena comprar essa tal objetiva e, se considerar que sim, pense seriamente em a comprar uns meses antes de qualquer viagem.

Em alternativa sugiro-lhe o aluguer de equipamento de forma pontual como aquele que pode fazer na Fragmáticos, parceiro da Viewpoint e para o qual oferecemos 10% de desconto através do uso do código VIEWPOINT no checkout. Em vez de investir 900,00 EUR numa objetiva que poderá não ser tudo aquilo que espera, gaste 75,00 EUR e leve-a consigo durante uns dias e desfrute.

Falando de distâncias focais, um local como Skye é um paraíso na terra para os gear maniacs. Ora vejamos, paisagens irresistíveis que pedem uma grande angular ou ultra grande angular se quisermos ser precisos. Qualquer coisa na amplitude de 16-35mm ou 17-40mm, servirá. Uma 24-70mm, por exemplo, “abrange” tudo e mais alguma coisa. Excelente para carregar sempre na câmera para o que der e vier, seja em Skye ou em qualquer outro lugar. 70-200mm? Claro! Excelente para quadros mais apertados, composições com maiores compressões de planos, detalhes de paisagem e exploração das texturas naturais. Macro fotografia? Depende da altura do ano. Skye tem fauna e flora digna de uma boa macro 100mm e conheço muito boa gente que passaria muitas horas de joelhos à espera da luz e posição correta para mais uma grande fotografia. Distâncias focais maiores, nestas viagens, servem normalmente o propósito de fotografar vida selvagem. A Ilha de Skye tem, entre outros, uma população interessante de águias-marinhas, lontras, veados-vermelhos, focas, morus, águias-douradas, martas, golfinhos e até baleias, mas claro, são os papagaios-do-mar, os famosos puffins, que mais gente procura. É verdade! Se só está a pensar ir à Islândia por causa dos puffins, há muitos outros sítios onde os pode admirar.

Mas já me ia perdendo nesta questão das objetivas. Em resumo e da forma mais clara que consigo: leve equipamento que domina! Se não domina, alugue em vez de comprar. Se tem uma dúzia de objetivas aí por casa, escolha uma representante de cada segmento de distância focal e não carregue mais do que isso. Sente-se nas costas e nas pernas quando não somos seletivos! Pessoalmente carrego sempre uma 16-35mm e uma 70-200mm. Nem sequer costumo levar nada que preencha o vazio entre os 35mm e os 70mm, mas claro que cada um sabe de si. Às vezes e não sempre, levo uma 50mm ƒ1.4 só para umas “coisas especiais”. Se tem uma versão ƒ2.8 e uma versão ƒ/4 de, por exemplo, uma 16-35mm e de uma 70-200mm, lembre-se sempre que a diferença de peso pode melhorar ou piorar a experiência de viagem.

Tripés

Aqui as guerras são quase tão grandes como quando falamos de sistemas diferentes. Pronto… se calhar nem tanto. Mas são contempláveis! Em termos – exageradamente – simplistas, podemos hoje dividir os tripés mais comercializados em dois grandes grupos, a saber: tripés de alumínio e tripés de fibra de carbono (de agora em diante apenas, carbono).

Logo de início convém desmistificar o seguinte: em termos de valor de matéria prima o carbono não é muito mais caro do que o alumínio, mas como o fabrico de tripés em fibra de carbono obriga ainda a maior intervenção humana em termos de acabamento, os preços aumentam substancialmente. Um tripé de alumínio, por outro lado, pode ser totalmente (ou quase) produzido por máquinas.

Do ponto de vista do design e da engenharia, numa perspetiva absolutamente teórica, a fibra de carbono é naturalmente muito melhor do que o alumínio para a construção de tripés. Não vou sequer entrar em pormenores de análise à rigidez dos materiais e comportamento prático, mas é, contudo, importante reter que nem todos os tripés de carbono nascem iguais. Quero simplesmente afirmar que um tubo de fibra de carbono desenvolvido pela empresa Y, não tem necessariamente de apresentar o mesmo desempenho que um tubo desenvolvido pela empresa Z. Direção das fibras, módulo de elasticidade (rigidez) e a relação fibra/resina, são factores a ter em conta e onde alguns dos fabricantes “rapam” mais ou “rapam” menos, de forma a controlar custos de produção.

Em termos gerais e novamente exageradamente simplistas, podemos afirmar que as vantagens de cada um dos tipos de tripés se coloca em qualquer coisa como:

Carbono: maior rigidez, maior capacidade de absorção de vibrações (amortecimento), menor condutividade térmica e, mais importante do que o restante para a maioria de nós, muito mais leve.

Alumínio: maior resistência aos maus tratos, mais barato.

Com o anteriormente colocado quero apenas dizer-lhe que um tripé de alumínio de elevada qualidade de construção é obviamente muito melhor do que um tripé de carbono com processo de fabrico duvidosos. “Carbon Tripod” é um chavão como tantos outros que vamos vendo pela fotografia e por outras áreas sempre tão atrativas para marketeers.

Posto isto e para que não se pense que defendo apenas a minha dama, quero esclarecer que tenho tripés dos dois grupos acima citados (relembrando, contudo, que não citei a fibra de basalto). Gosto dos dois, mas confesso a minha preferência pelo tripé de alumínio, muito pela sensação de maior segurança que me dá quando usado em locais como o topo do Quiraing ou qualquer ou local do planeta vulgarmente visitado pelos ventos fortes. Bem sei que a transmissão de vibrações à estrutura não é melhor no alumínio. Sei que o tripé de carbono é mais leve e que, consequentemente, chego menos cansado ao fim de cada dia, mas os anos passam e eu continuo um incondicional fã dos bons tripés de alumínio, mesmo que, com cabeça acoplada, falemos de um peso próximo dos 3Kg. Voltando umas linhas atrás à questão da “sensação de segurança”, convém esclarecer que não se tratar exclusivamente de uma sensação. Tenho demasiadas viagens na bagagem para não saber que um tripé de carbono voa muito melhor pelas escarpas abaixo do que um tripé de alumínio.

Tudo isto para lhe dizer que, mais importante do que o material de que é feito o seu tripé ou do que a etiqueta do preço, é o facto de estar habituado(a) a ele, de saber como se comporta com vento, com ou sem câmera carregada, com elevados ângulos de abertura, em planos que obriguem à fixação dos apoios em planos diferentes, etc. Até lhe digo mais, o simples facto de estar mais habituado ao sistema de fecho com mola do que ao sistema de fecho por aperto, me leva a optar por um tripé em detrimento de outro.

Em jeito de resumo: escolha um tripé que consiga manusear de olhos fechados. Se não o consegue fazer por uma questão de treino, então treine. Escolha um tripé que lhe transmita segurança. Escolha um tripé que possa “maltratar” regularmente. Não há nada mais aborrecido do que um(a) fotógrafo(a) que tenha medo de riscar o equipamento. Não escolha, repito, NÃO ESCOLHA, um tripé que “se calhar chega”, “também, por 35 EUR não posso pedir mais” ou que “pode ser que aguente”! Que sentido faz investir mais de 3000,00 EUR num sistema com câmera e 1 ou 2 objetivas para depois o pousar em cima de um baralho de cartas?

Marcas? Há tantas e tão boas. Benro, Manfrotto, Gitzo, Induro, FLM, Really Right Stuff, Oben, Feisol, Velbon e até Vanguard, entre tantas outras. Veja algumas das referências disponibilizadas pela Coloreffects, o parceiro Viewpoint para venda de equipamento fotográfico.

Mochilas

Mochilas! Pois… mochilas. Deixe-me começar já pelo seguinte: se não a pode carregar na cabine do avião onde vai voar, não a compre! É fácil cair naquela famosa armadilha das técnicas de venda que colocam o artigo seguinte a “pouco mais pelo tanto que oferece”. Vai dar por si a pensar que “por mais 35,00 euritos até comprava a outra a seguir”. O problema é que isto não pára. O máximo que aconselho, em termo de volume, é algo como a Lowepro Whistler BP 350 AW. Não sinta pressão! Muito menos que isto também chega. A questão com a cabine é a seguinte: ninguém gosta de colocar o equipamento fotográfico no porão, sabendo que o problema não é bem o porão, mas sim as delicadezas que sofre a carga que para lá vai.

Aspetos importantes: dimensões suficientes, apoio lombar, cinta de peito, capa de chuva (o AW da Lowepro indica isso mesmo), bom revestimento, bons fechos. O resto é conversa.

Enfatizo o apoio lombar e o cinto de peito para locais como Skye onde as caminhadas imperam. Uma mochila sem apoio lombar e sem cinto de peito que a fixe às costas, é uma carga muito pesada para carregar alguns quilómetros e ao fim de dois ou três dias começará a perceber aquilo que aqui escrevo.

Filtros ND, Grads e a Ilha de Skye

Considere também um conjunto de filtros ND e grads (eu costumo usar o último um pouco mais em Skye, enquanto os primeiros são mais usados na Islândia, por exemplo). Pessoalmente uso os filtros Lee e Rollei. Tenho muitos! A minha mulher pode confirmar isso mesmo. Polarize! Sim, acho que se não tem um bom filtro polarizador, perderá metade da fotografia. Eu sou fã do meu 105mm Lee Polarizer, e embora eu considere os filtros Rollei ND (especialmente nesta última edição) um maravilhoso investimento em termos de relação qualidade/preço, os polarizadores nem sequer chegam perto do filtro polarizador da Lee.

Baterias…

Se vai para um destino como Skye, onde ficamos alojados em locais com suficientes mordomias e, espante-se, corrente eléctrica, não se ponha a carregar 10 baterias, um carregador duplo, punho e sabe-se lá mais o quê. Repare que para gastar 2 baterias já tem que fazer muito. Se considerar levar 2 extra caso qualquer uma das outras falhe, 4 baterias chegam e sobram. À noite é só deixar a carregar e recolher na madrugada seguinte.

Limpeza

Nunca é demais lembrar que em destinos como Skye há humidade, nevoeiro, neblina, orvalho, chuva, etc. Tudo isto aponta para objetivas molhadas, vidros pingados, fotografias estragadas. Nada como levar uns tecidos ou papéis de limpeza. Limpeza de sensores pode deixar para quando chegar ou, melhor ainda, trate disso antes de partir. Relembro que a Coloreffects tem uma boa oferta neste segmento e que até nos ofereceu um mini-workshop gratuito de sensores a 1 de setembro deste ano.

Disparador Remoto

Sim! Claro que sim. Uma das formas de reduzir as tais vibrações passadas no disparo é usar um disparador remoto. Exposições com mais de 30 segundos carecem do uso do modo “Bulb” na sua câmera (nem sempre) e permanecer com o dedo colado é simultaneamente pouco prático e tecnicamente incorreto. Sim, a questão das vibrações novamente!

Cartões de Memória

Ora aqui é mais vulgar encontrar problemas do que com as baterias, contudo, pela experiência que vou tendo, vejo toda a gente preocupada em colecionar baterias, mas a levar 1 cartão SD de 32GB para uma viagem fotográfica da natureza da que fazemos à Ilha de Skye. A própria vocação do equipamento, o facto de todos os dias tirar e recolocar o seu cartão na sua câmera, ou mesmo o simples facto de perder a sua capacidade de backup e ficar sem espaço no cartão, são tudo razões mais do que suficientes para optar por levar 2 ou 3 três cartões em vez de 9 ou 10 baterias.

Equipamento de caminhada, outdoor, aventura & the all shazam!

Não somos uma agência especializada em equipamento de outdoor e aventura como o são outro tipo de agência, mas já temos umas boas centenas de quilómetros nos diversos pares de botas que levámos a passear à Escócia, assim como alguns Munros,  na lista de conquistas. Assim sendo, considero que vos podemos aconselhar um ou outro artigo que podem e devem levar numa viagem fotográfica à Ilha de Skye. Vou mencionar diversas marcas pelo simples facto de não recebermos qualquer comissão de qualquer marca. Adianto também que não recebemos qualquer comissão de parceiros como a Coloreffects ou Fragmáticos. O que temos conseguido é mesmo só para os nossos clientes. O futuro se encarregará (ou não) de nos trazer coisas boas por este tipo de postura.

Assim, se algum dia vos disser que o casaco x,y, ou z da Arc’teryx, da RAB ou da Mammut é bom é porque o usei e acho realmente que é bom. Não vos vou dizer que o da marca w é que é bom por estar na moda comprar material desta marca. Se vos disser que levei um casaco da Quechua (Decathlon) é porque é verdade! É porque o casaco aguentou chuva, frio e vento e ainda o trouxe de volta.

O clima em Skye, mesmo durante o verão, nunca será o de uma ilha das Caraíbas. Além disso, do ponto de vista do fotográfico, o mau tempo é sempre um pouco mais emocionante do que o céu limpo, assim sendo, o mais certo é que estejamos a planear a sua viagem para o outono, a primavera ou mesmo o inverno. O tempo de inverno pode ser, contudo, demasiado rigoroso.

Certifique-se de que leva vários pares de meias, um bom casaco à prova de vento e impermeável (o mais leve possível, porque afinal de contas, você faz Fotografia), pelo menos dois pares de calças impermeáveis e uma camada de base bastante eficiente em termos térmicos. Opte por um extraordinário par de botas. Eu pessoalmente tenho minhas botas preferidas, mas marcas como The North Face, Salewa, La Sportiva, Salomon, Scarpa, Merrell, Lowa e tantas outras, têm uma tecnologia incrível para colocar ao serviço dos seus pés.

O terreno pode ir de escorregadio a moderadamente encharcado, até verdadeiros pântanos, isto em apenas algumas dezenas de metros. Um par de botas forte e à prova d’água (o Gore-Tex é seu amigo), forte e confortável, pode transformar uma missão complicada numa caminhada no parque … ou quase. É muito fácil escorregar e cair em lugares como o Quiraing, mas ainda mais durante uma manhã nublada no Storr. As virtudes naturais de Skye também são a principal fonte de problemas para os caminhantes e ainda mais para faz Fotografia. Não se esqueça que provavelmente estará a carregar 5-8 Kg de equipamento nas suas costas e que uma caminhada de 4 horas nestas condições deixará certamente uma boa marca no corpo.

Enquanto estiver em Skye, verá certamente muita chuva. Não chove o tempo todo, mas é quase garantido que vai chover uma vez por dia. Traga meias, casaco, camada base quente e eficiente, calças boas e talvez um par de luvas, um gorro e um buff, dependendo de quão frio fica, mas o mais importante, do quão frio você normalmente fica.

Assim a jeito de conclusão…

Ressalvo também que todos os nossos viajantes para destinos como Açores, Skye, Lofoten, IslândiaDolomitas ou mesmo Picos de Europa, usufruem de bons guias de recomendação de equipamento após a reserva. Na Viewpoint Tours, quer viagem connosco ou não, estamos sempre disponíveis para responder a todas as perguntas que nos colocam e trabalhamos com empresas e profissionais que nos ajudam nas respostas mais técnicas e nas dúvidas mais particulares.

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