Fotografar em Edimburgo

Fotografar em Edimburgo é um prazer indescritível! O ambiente da cidade promove a criatividade e transporta-nos para um tempo que não o presente. É uma cidade única, com uma identidade tão vincada e com uma quantidade de pontos de interesse tão grande, que resolvemos ir separando os posts em blocos mais facilmente assimiláveis. Há algum tempo publicámos o “Bons photo spots de Edimburgo – Parte I“, hoje falaremos de closes e um pouco sobre a Royal Mile!

A Old Town de Edimburgo

A Velha Edimburgo consistia originalmente de uma grande rua principal (Main Street). Hoje, assume outra denominação, é mundialmente famosa e o destino diário de largos milhares de visitantes da cidade. É conhecida como Royal Mile e é não uma, mas uma sucessão de ruas.

Pequena viela que liga Cockburn Street à Royal Mile (zona de High Street)

Também desse tempo chegam até hoje uma enorme quantidade de pequenas vielas que derivam para norte e para sul da rua principal. Algumas dessas vielas desembocam em pátios abertos (courts), outras são uma via aberta, apenas larga o suficiente para um cavalo e uma carroça, denominados “wynds“, numa referência clara à forma como serpenteiam (wind along).

Ainda assim, a maioria destas vielas e becos eram denominados “closes“, pelo simples facto de que conduziam à propriedade privada e, por isso mesmo, poderiam ser encerrados (ou closed) ao acesso generalizado. Tinham vulgarmente uma forma de garantir a barragem do acesso, geralmente um portão de ferro, mas hoje estão praticamente todos abertos. Esses portões que anteriormente referi, eram sobretudo fechados à noite, garantindo alguma segurança adicional aos moradores de cada uma destas vielas. Os closes, se olharmos com alguma atenção, são na verdade uma das formas mais antigas de um “condomínio fechado”.

Mistério e apelo de uma Edimburgo escondida!

Advocate’s Close
Advocate’s Close liga High Street (na Royal Mile) ao início (baixo) de Cockburn Street

Misteriosos, altamente fotogénicos e muito carregados daquele sentimento de “descoberta” que queremos a povoar as nossas viagens, os closes da Royal Mile estão, na minha modesta opinião, num dos lugares cimeiros de uma lista de pontos de interesse que deve ilustrar Edimburgo. Bem sei que para a maioria se trata apenas de uma rua estreita e uma passagem que liga vias de importância maior, mas são absolutamente brutais em termos fotográficos e normalmente resultam em grandes registos.

Algo que é também importante de referir é que, como a maior parte das pessoas (leia-se “turistas”) percorre apenas as vias principais, optar por uma incursão pelas vielas de Edimburgo é simultaneamente uma passagem a um “ponto de vista” diferente (renovando a “forma de ver” do fotógrafo), como é também uma forma de se afastar das multidões e, claro, com isso, aventurar-se na Edimburgo que tantos perdem. Uma nota adicional, mas relevante, é que como em qualquer rua estreita, escura, sombria, em qualquer cidade do planeta Terra, há por vezes coisas que são de evitar. Em Edimburgo não há muito, não são fáceis de dar de caras com elas, mas que as há… há!

Milne’s Close e Milne’s Court, uma das mais belas “passagens” estreitas que despontam da Royal Mile (zona de Lawnmarket e Castlehill)

Estreitos e quase sempre sombrios, os closes permitem vulgarmente bom “jogo de luz”, muito “à contre-jour” e muitas abordagens originais. Enfim, a imaginação é o alimento da criação. Use tanta quanto lhe for possível. Ao contrário de grande parte dos alimentos, mesmo em grande quantidade, não engorda!

Cada close tem a sua identidade e personalidade e, como é óbvio, um que seja do meu agrado não será necessariamente do agrado de todos! Ainda assim, algum closes mais famosos são sem dúvida o Advocate’s Close, o Old Stamp Office Close e, um dos meus preferidos, o Milne’s Close. Faça você a sua própria lista.

 

A Royal Mile é o verdadeiro coração de Edimburgo!

Royal Mile, zona de Castlehill. A Torre à direita pertence ao The Hub, um edifício público de artes e eventos.

A Royal Mile é o nome comum usado para descrever a sucessão de ruas que formam a principal via do centro histórico de Edimburgo. Corresponde, aproximadamente, a uma milha escocesa, i.e., 1814,2 metros. De forma mais simples, é o espaço entre o Castelo de Edimburgo e a Abadia de Holyrood.

A Royal Mile é por isso um dos pontos de maior interesse em Edimburgo e oferece uma miríade de pontos de interesse fotográfico que vão desde a fotografia de rua, à fotografia de registo arquitectónico. São naturalmente demasiados pontos de interesse para mencionar em apenas um post.

Quero ainda destacar que, ao contrário do que poderia pensar, não é Princes Street que é o verdadeiro centro vibrante de Edimburgo! Esse protagonismo estará sempre entregue à essência primária desta cidade que mora na Royal Mile. Não se fique pela “baixa” e pela zona comercial bem integrada nos tempos modernos. Suba até à cidade velha e beba da verdadeira Edimburgo.

Nas nossas viagens na Viewpoint passamos muito tempo na Royal Mile, cruzamos muitos closes (quase sempre em grupo) e explorarmos tanto o ambiente nocturno, como o diurno. A Royal Mile liga ainda a um enorme número de POIs fotográficos na cidade e não deve, de forma alguma, passar por Edimburgo sem a percorrer, preferencialmente, várias vezes e a diferentes horas do dia.

Boas fotos!