Fotografia de Diogo Margarido

A fotografia de Diogo Margarido é muitas vezes um exercício pessoal de entendimento de Portugal, do relacionamento com um país em modernização, por vezes apressada, por vezes renitente, de que ele próprio era agente, enquanto profissional do sector industrial.

Como muitos outros no Portugal daquele período, Diogo Margarido é um homem nascido numa família com raízes rurais que é trazido para um ambiente urbano/industrial. Mas trabalhando na indústria, pode, no entanto, percorrer o interior e os campos sem o olhar do estranho.
Com origens na zona de Marvão, acabaria, por via do casamento, por ter uma grande proximidade com a vizinha localidade de Castelo de Vide, donde era originária a família da sua esposa.

O seu olhar fotográfico sobre a vila inicia-se na década de cinquenta e perdura até ao presente, estando previsto para o próximo mês de agosto o lançamento do livro “Castelo de vide, apontamentos fotográficos” onde terá merecida registo bibliográfico.

As suas fotografias de Castelo de Vide não são as do turista, nem as do esteta em busca dum cenário.
As suas imagens de Castelo de Vide trazem-nos uma pequena e antiga urbe do interior, mas fazem-no com propriedade e verdade. Não mostram uma povoação abstracta ou idealizada, transportam um território vivenciado pelo fotógrafo. Transmitem-nos uma textura, uma dificuldade, uma graça diária, que junto com pequenas surpresas, as fazem descolar do estereótipo.