Dizer que o cinema é vinte e quatro fotografias por segundo, é simultaneamente uma verdade e uma enorme insuficiência. O essencial dum bom filme situa-se frequentemente à margem do que é mostrado, no espaço narrativo ou poético exterior às imagens.

Igualmente, uma fotografia não é apenas uma amputação dum movimento, um segmento dum seccionamento de um segundo em vinte e quatro partes. Uma fotografia interessante situa-se numa esfera à parte. Mais do que por aquilo que é explicitamente, importa pelo desafio que lança, pelo potencial romanesco que encerra. Não precisa de 23 partes, ou de milhares de partes. A história que lança depende sobretudo de nós, do mundo e dos significados que carregamos. Não tanto dela, que é uma inspirada provocação.