Neste post resolvi resolvemos prestar ajuda a tanta gente que nos contacta para conselhos relativamente àquela viagem à Islândia que há tanto tempo mora na lista de desejos, mas que, por razões de simples disponibilidade ou por receio do que se possa encontrar, ainda não saiu do plano do imaginário. Não se trata de um guia exaustivo! São pequenas notas que têm como objectivo motivá-lo(a) a visitar a Islândia por conta própria.

Breve nota prévia…

Na Viewpoint criamos roteiros para fotógrafos e apaixonados por fotografia. Somos, formalmente, apenas mais uma agência de viagens (RNAVT N.º 7839), mas na essência somos uma agência de viagens que se dedica a itinerários e gestão de programas que tenham como base e lógica funcional, o registo fotográfico. Somos, enfim, uma agência de viagens fotográficas. Não usamos agências externas como plataforma legal, seguros de empresas terceiras, etc. Operamos de forma totalmente independente. A quase totalidade dos nossos clientes (96%, para sermos exactos) fazem fotografia. Procuram-nos, por isso, por razões exclusivamente ligadas à fotografia. Em termos mais precisos, procuram-nos por uma ou mais razões da lista que a seguir apresento:

• Não possuem um conhecimento profundo do destino e como tal, por uma questão de poupança de tempo (e dinheiro) e eficiência nas deslocações no destino, preferem que alguém trate de toda a operação;
• Porque não possuem um conhecimento do destino baseado em experiências pessoais, sabem o quão difícil é gerir um horário de expedição fotográfica de forma eficiente. Sabem que é difícil encontrar vias alternativas quando nem as vias primárias são conhecidas;
• Pretendem maximizar o tempo de fotografia e aproveitar o tempo entre “Pontos de Interesse Fotográfico” para descansar ou editar imagens;
• Não desejam assumir a responsabilidade da condução, da resolução de problemas e/ou conflitos, seguros, licenças, equipamento para operação no destino, enfim… menos logística, mais fotografia;
• Gostam de viajar em grupo.

Há, contudo, uma enorme quantidade de gente que segue o nosso trabalho por razões que não se relacionam, exclusivamente, com as viagens fotográficas. Muitos dos nossos clientes de outros segmentos da oferta, e que vamos conhecendo através dos workshops ou do serviço de impressão, conversam abertamente connosco acerca das viagens que fazem com outras empresas, das viagens que fazem a solo ou com companhia. Entenda que para nós é absolutamente indiferente que não viajem connosco. Mais ainda, é preferível que o façam sozinhos do que nunca o façam! Procurarem-nos para esclarecer dúvidas pontuais não é, de todo, ofensivo. É lisonjeiro!

Viajar é importante, para quem ama fotografia é uma necessidade. É certo que tantas vezes procuramos longe, aquilo que está ao pé da porta, mas também é verdade que o cansaço do olhar sobre um local que conhecemos como a palma da mão, por vezes obriga à viagem, à saída da zona de conforto, à fuga para um local que não dominamos.

A Viewpoint assume por isso que, ao acompanhar os clientes nas suas viagens e aventuras fotográficas, ficamos vinculados à obrigação de oferecer muito mais do que aquilo que eles, a solo, poderiam conseguir. O que vendemos tem de ser diferenciado. Assumindo essa responsabilidade e vendendo, no fundo, essa garantia, não é para nós um problema publicar os itinerários mais populares, as dicas de viagem mais gerais, sugestões de alojamento ou de alimentação. Vivemos num admirável mundo novo e uma grande quantidade de informação está disponível, gratuitamente, ao alcance de um simples clique. É também verdade que tanta dessa informação é passada e repassada sem verificação, copiada, traduzida, interpretada, modelada e, enfim, tantas vezes corrompida, pelo simples facto de ser manipulada vezes sem conta por gente que nunca testou o que escreveu.

De volta à Islândia… (pun intended)

A experiência de visita a um país como a Islândia pode adoptar diversas faces. Pode apresentar-se como um país facílimo de visitar, perfeito para viajar com crianças, de mochila às costas se assim o entender, sem grandes preocupações nem questões de maior relevância. Pode, contudo, ser também um local onde se irá expor a perigos que tantas vezes despertam de situações perfeitamente insuspeitas.

Informe-se sempre muito bem relativamente aos pontos de interesse que pretende visitar na Islândia, sempre com a certeza de que os pontos turísticos mais populares são perfeitamente seguros em condições normais. A Islândia é hoje um país que depende em grande medida do volume de turismo e, como tal, é de esperar que se encetem todos os esforços para que a experiência de quem a visita seja a melhor possível.

Se a intenção é falar de perigos, poderemos pegar em qualquer país do mundo e explorar essa vertente, exacerbando o que é potencialmente perigoso e omitindo o que é uma vivência absolutamente normal. O grande problema apresenta-se para as situações em que as pessoas não estão familiarizadas com os perigos que se lhes apresentam. Da mesma forma que algumas porções das levadas da Madeira são perigosas, alguns trilhos do Gerês também o são. As falésias da costa portuguesa podem ser perigosas, assim como também o pode ser a rede viária de muitos locais de Portugal. Importante é que saibamos identificar de antemão situações potencialmente perigosas e que tomemos medidas no sentido de, ou as evitar, ou as enfrentar devidamente equipados e preparados.

Claro que se vai abraçar a tarefa de percorrer o trilho de Lónsöræfi, deverá estar preparado(a) para mais de 70Km de caminho espalhados por 4 a 6 dias de aventura. Terá de estar ciente de que a meteorologia islandesa tem características muito específicas e que, por tudo isto, estará a adicionar um potencial de risco à sua viagem. Contudo, se o seu objectivo é viajar em família, alugar uma viatura – mesmo que para as F-roads – e percorrer locais espalhados ao longo da Ring Road (Route 1) ou dentro do famoso Golden Circle, não precisa de se preocupar mais do que ao fazer uma viagem de carro em Portugal. Este argumento do “perigo” é muitas vezes argumento de venda e está talvez na altura de começarmos a desmontar essa teoria. Sejamos objectivos, um país que tem 8 vezes mais turistas do que população, não pode ser o 3ª círculo do inferno!

O mais turístico dos passeios na Islândia

Não há debate relativamente a este assunto, se o local mais “famoso” da Islândia é a Blue Lagoon – quer se goste, quer não – o circuito mais famoso é o “inevitável” Golden Circle. Coloquei o inevitável entre aspas porque é na verdade de evitar em alturas de muito fluxo turístico. Para este assunto, deite por favor o olho ao último post que publicámos sobre a Islândia, onde abordámos esta questão dos mares de gente que chegam pelo ar. É um pesadelo de gente! Disso não há dúvida. É uma sensação estranha chegar a estes locais, sobretudo quando se chega de um circuito mais alternativo como aquele a que levamos os nossos clientes, mas, ainda assim, é algo que aconselho fazer, pelo menos, uma vez na vida.

E o que é o Golden Circle?

É basicamente um circuito de aproximadamente 300 Km, onde pontuam locais de interesse como o Parque Þingvellir (Thingvellir), o vale de Haukadalur onde estão localizados os famosos geiseres islandeses. O mais famoso destes é o Strokkur, que atira água fervente a uma altura entre os 20 e os 40 metros e que é um espectáculo de cadência elevada. A cada 4 a 8 minutos há uma ejecção de água e, consequentemente, uma “descarga” de 3000 fotografias na envolvente. Mas é exactamente este pequeno intervalo entre ejecções que torna este geiser uma atracção tão apetecível. Outros locais do planeta terão até geiseres mais impressionantes – Yellowstone por exemplo – ainda assim, os tempos de espera para cada elevação da água no ar são muito mais longos nesses locais.

Depois disto, seguindo caminho pela boa estrada alcatroada do local – agora também bem atestada de espaços para estacionamento até à saída de Geysir – poderemos em menos de 10 minutos chegar a Gullfoss!

Chegando a Gullfoss há algo a que deve prestar atenção. Se está a visitar o local numa altura de muita neve e gelo – em princípio no inverno – preste atenção à possibilidade de existirem barreiras de bloqueio de passagem. Se existirem, respeite-as! Isto, mesmo que outros não o façam. No final de 2017 e início de 2018, houve uma série de incidentes e acidentes nesta zona, todos resultantes da imensa estupidez humana.

Ora, como todo o bom local de concentração de turistas, Gullfoss tem uma típica gift-shop com coisas que pode encontrar em qualquer sítio do mundo, mas claro, devidamente adaptado à imagem islandesa. Aqui até as casas-de-banho aceitam Mastercard! Não é brincadeira, aceitam mesmo. A última vez que lá estive, curiosamente, ouvimos falar muito português. Alguns dos colaboradores era nossos compatriotas e foram à procura de uma melhor vida.

À volta da Islândia

Creio que a melhor visita generalista à Islândia se faz de automóvel, através da Ring Road e na maior extensão possível da mesma. A Ring Road, principal via rodoviária da Islândia, consiste de cerca de 1300Km de alcatrão que contornam quase totalmente a Islândia. Pelo caminho encontrará um pouco de tudo: quedas de água pequenas, médias e gigantescas como são o caso de Seljalandsfoss ou Skógafoss; línguas glaciares que “escorrem” das geleiras; planícies gigantescas de cinza (destaco um belíssimo troço a caminho de Skaftafell); praias cujas margens – dependendo da altura do ano – se cobrem de pequenos blocos de gelo que derivam da lagoa glaciar de Jökulsárlón; enfim, um pouco de tudo o que já ouviu acerca da Islândia. Se há muito mais para lá da Ring Road? Sim, claro que há. As incursões a partir desta artéria para as zonas mais interiores da ilha são muito interessantes e farão logicamente parte de um itinerário como o nosso, mas atenção que nestas estradas, a maioria delas classificada como F-road, é obrigatória a utilização de viaturas adequadas. O cuidado com a condução deverá ser muito maior e a experiência é então um factor muito relevante, tanto para a segurança como para o escrupuloso cumprimento da lei. Nunca esqueça que a maior parte dos acidentes mortais na Islândia, apesar da poderosa natureza que ali se apresenta, são resultantes de acidentes de viação.

Conduza com cuidado e dentro dos limites da lei! As multas são avultadíssimas e chegam na forma de cobrança no cartão de crédito “deixado” à companhia de car rental. Leia o nosso post acerca das estradas da Islândia para informações adicionais.

A Pequena Reikjavik

Reykjavík, cujo nome significa “Baia dos Fumos”, até pode ser uma capital europeia, até pode ser habitada por cerca de 120000 pessoas, mas a verdade é que não se parece nada com isso. Claro, tem muitas lojas e cafés, tem museus e tiques característicos de cidade grande, mas a verdade é que a sensação de estar em Reykjavík não é diferente da sensação de estar numa cidade tamanho pequeno ou médio por essa Europa fora. Os pontos fortes da cidade começam exactamente na sua simplicidade e na relação fácil entre o urbano e o natural.  Há, pelo menos até agora, uma coexistência pacífica entre o crescimento urbano e o respeito pela natureza. Reyk, tem arte urbana um pouco por todo o lado e cada café ou bar empenha os maiores esforços em ser diferente dos demais. É uma cidade muito virada para uma geração que veio a seguir à minha e como tal prepara-se quase diariamente para a agitada noite que é, desde há algum tempo, uma imagem de marca da cidade. A partir de certa hora, o chá quente e o hipster look são substituídos por uma boa dose de outro tipo de bebidas, sons fortes e muito calor no meio do frio.

Aventure-se sem preocupações pela cidade. O ambiente é absolutamente seguro, o crime na Islândia é tão raro como o calor abrasador, se calhar até mais. A cidade é limpa, às vezes pontuam obras num ou noutro sítio porque, quer se goste, quer não, há que aproveitar todo o fluxo de turistas que aterra na Islândia. Reykjavík, estando relativamente perto do aeroporto de Keflávik, é ponto de passagem obrigatório para a quase totalidade dos turistas, mesmo para aqueles que, como nós fotógrafos, não vão tanto pelo urbano.

Pontos de passagem obrigatória são, muito naturalmente a Igreja de Hallgrímur (ou apenas Hallgrímskirkja). Na imagem à esquerda) que com os seus cerca de 75 metros de altura é uma das estruturas mais altas do país. A sua arquitectura é inspirada nas belíssimas colunas basálticas da famosa Svartifoss, uma queda de água bem bonita que deverá visitar caso viaje até Skaftafell. Visite também o Harpa (imagem no fundo deste post), o centro de congressos de Reykjavík. O edifício apresenta uma estrutura muitíssimo interessante, sobretudo para fotógrafos. Se quiser misturar-se um pouco mais na cultura e hábitos locais experimente as piscinas, mas informe-se previamente acerca das regras de utilização das mesmas. O baixo nível de cloro nas águas obriga a uma higiene prévia mais… minuciosa. O Sundhöll Reykjavíkur é a piscina mais antiga de Reikjavík. Foi fundada em 1937, mas bem renovada em 2017.  Fica relativamente perto da Hallgrímskirkja e vale a pena visitar. Não é, contudo, a maior das piscinas da cidade, esse título fica para a Laugardalslaug (ou piscina de Laugardalur, se preferir).

Caminhe! A cidade descobre-se bem dessa forma. Aprecie os nomes das ruas, inspirados na mitologia nórdica e inspire-se pelas cores da casas, baixas e simples. É uma cidade leve, bonita e interessante, apesar de os próprios islandeses se queixarem do excesso de alojamentos, hostels e hotéis que nascem um pouco por toda a baixa de Reykjavík. Onde é que já visto?! Habitue-se também à ideia de que Reikjavík não é, como grande parte da Islândia, um sítio barato! Os bons restaurantes, por exemplo, são realmente caros.

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