Neste série de posts sobre Edimburgo, queremos que fique a conhecer alguns dos locais que achamos fotograficamente mais interessantes numa cidade onde passamos sempre duas noites na nossa viagem fotográfica à Ilha de Skye.

E por onde começar, quando Edimburgo é um caldeirão imenso para o “fabrico” de grandes fotografias? É difícil escolher só uma dúzia de assuntos para fotografar numa cidade tão repleta de tradição escocesa, com ruas ainda tão entregues às memórias de outros tempos e com vistas sobre a própria cidade que fariam corar tantos destinos hoje na moda.

As ruas estreitas que ligam as artérias principais, a pedra, os tons escuros de uma cidade misteriosa e antiga, são motivo suficiente para muita e boa fotografia. Edimburgo é uma daquelas cidades que facilmente passam para a lista de cidades favoritas de qualquer um, quer se visitem dez, cem ou mil cidades no planeta. É, além de tudo isso, extremamente fotogénica.

Vista desde Calton Hill

Calton Hill

É um dos locais mais famosos e procurados por quem visita Edimburgo. Excelente para qualquer hora do dia, mas certamente mais apelativo para um ocaso impressionante.

Calton Hill dá-nos uma vista privilegiada sobre Princes Street – a principal artéria da cidade – mas também sobre muito mais. Com uma colocação adequada podemos inclusivamente enquadrar o famoso Castelo de Edimburgo, ou o fantástico Walter Scott Monument, entre muitos outros pontos de interesse. Tudo na mesma fotografia, acredite ou não! Quase sempre presente em todas as fotografias criadas a partir de Calton Hill está o memorial a Dugald Stewart (aquele com as colunas na imagem acima) e por uma excelente razão: fica bem em todas elas!

Ainda em Calton Hill pode observar e sentar-se nos degraus do Monumento Nacional (que faz lembrar o Parthenon de Atenas). Este monumento é uma homenagem aos soldados mortos nas Guerras Napoleónicas (1803-1815) e a sua construção só terminou em 1829. Poderá também visitar o Nelson Monument, uma torre que homenageia o Vice-almirante Horatio Nelson, oficial da Marinha Real Britânica, famoso pelas suas intervenções nas, claro está, Guerras Napoleónicas. É o ponto mais elevado de CaIton Hill (171m) e tem 32 metros de altura. Durante o dia poderá subir os seus 143 degraus para uma vista ainda mais elevada sobre Edimburgo. Pode consultar os horários aqui.

Desde fotografia de fim de dia para uma luz suave de elevada obliquidade que cria uma belíssima silhueta do Castelo Edimburgo, até extraordinárias longas exposições com Princes Street como assunto principal, Calton Hill oferecer-lhe-á, muito certamente, grandes oportunidades fotográficas.

O acesso a Calton Hill faz-se de forma fácil através de uma escadaria a partir de Regent Street (Código+ para Google Maps: XR37+JX Edimburgo, Reino Unido) que fica no enfiamento de Waterloo Place, e esta no enfiamento de Princes Street. Atenção, contudo, aos dias de chuva e ao facto de a escadaria possuir pedra tão polida pelo tempo e pelo uso, que se pode tornar perigosa dependendo do calçado e do “jeitinho” de cada um. 

A colocação do Monumento a Dugald Stewart ajuda muito na composição e a melhor forma de o incluir é procurar as imediações do Old Observatory House (use o Google! Ele é seu amigo). Esse local é privilegiado para uma boa panorâmica de Edimburgo. Claro que ao fim da tarde, a quantidade de tripés supera claramente a “quantidade” de bom-senso e de civismo. Tenha cuidado!

Arthur’s Seat

Se perguntar a qualquer habitante de Edimburgo qual a melhor vista sobre a cidade, a resposta será, inevitavelmente, Arthur’s Seat. Ponto elevado, visível de praticamente qualquer local da cidade, uma caminhada de ida e volta demora umas boas 2 horas, contanto que não vai parar a cada 5 minutos para uma ou outra fotografia de Holyrood Park e de tantos outro motivos de interesse. Vá com calma, aproveite o caminho e desfrute das vistas e do ar limpo da subida. Leve qualquer coisa para comer e beber e planeie a sua chegada ao topo para um pouco antes do ocaso. É uma experiência inesquecível!

Se está com medo do grau de dificuldade da subida, fique desde já descansado(a). A correr será certamente difícil, mas num passo calmo, sem pressas, será tudo muito simples de concretizar.

Arrisque e leve o seu tripé e os seus filtros de ND consigo, sobretudo filtros graduados suaves de 1, 2 ou 3 stops (soft grads). A vista desde Arthur’s Seat é realmente fantástica e o fim do dia promove grande foto-oportunidades. Aproveitará muito mais destas oportunidade se puder controlar a gama dinâmica da cena. Por força da obliquidade da incidência solar terá muitas zonas em sombra ao mesmo tempo que terá a metade ou terço superior do seu quadro em sobre-exposição. O local é também excelente para a produção de boas panorâmicas.

Princes Street Gardens

Os Jardins de Princes Street são um local incontornável na cidade de Edimburgo. Já não sei quantas vezes os atravessei e desconheço igualmente quantas vezes foram o local escolhido por mim para almoçar entre caminhadas pela cidade.

Da mesma maneira – descontando a escala – que Nova Iorque tem Central Park ou Londres tem Hyde Park, Edimburgo exibe com extremo orgulho os seus Jardins de Princes Street.

Os jardins ocupam uma parte central da cidade, interpondo-se entre a rua mais movimentada de Edimburgo (Princes Street) e o Castelo. Ao longo da sua extensão é ladeado por uma enorme quantidade de edifícios históricos, monumentos de extremo relevo e de uma moldura humana que dá, constantemente, pulso a este espaço natural no meio da capital da Escócia.

Em termos fotográficos há um imenso mundo a descobrir. Desde oportunidades únicas para fotografar o quadro humano da cidade, até perspectivas originais do Castelo de Edimburgo ou das ruas perpendiculares a Princes Street. No extremo ocidental do jardim (afastando-se de Waverley Station) pode encontrar a igreja de St, Cuthberts com um extraordinário cemitério de campas e mausoléus cobertos de musgo. Seja extremamente responsável e respeitador! 

De Verão ou de Inverno, os jardins de Prince Street são um dos locais que nunca deve perder em Edimburgo.

Planeie um almoço piquenique num dos bancos dos Jardins de Princes Street, cada um deles com uma história e uma homenagem, sendo eles próprios um bom assunto fotográfico. Existe uma boa Co-Op Food em Frederick St. (perpendicular a Princes Street e paralela a Castle St.) onde pode comprar o seu almoço. Procure estar sentado(a) antes das 13:00 e espere pelo “sinal horário” da 1 da tarde assinalado desde o Castelo de Edimburgo com… um tiro de uma peça de artilharia. Entretanto, tenha sempre a sua câmera consigo. A movimento nestes jardins é imenso, sobretudo com bom tempo.

Depois de almoço pode dar um “saltinho” até à Scottish National Gallery, ainda dentro dos jardins e numa posição elevada e quase central. A entrada é gratuita (algumas exposições temporárias poderão cobrar admissão, mas não tem de as visitar) e o edifício está repleto de obras que deixam qualquer um absolutamente maravilhado. Pode fotografar sem flash!

Victoria Street ou a inspiração para Harry Potter

Victoria Street, em tempos idos denominada Bow Street, já foi a entrada principal para a cidade de Edimburgo. Esta rua íngreme tinha a forma de Z e era bastante difícil de percorrer pelas carruagens que chegavam à cidade. Por essa razão no início do século XIX, a rua foi transformada na sua configuração actual e, em 1837, renomeada quando a rainha Vitória foi coroada.

Trata-se então de uma rua curva e calcetada (de alguma forma semelhante a Cockburn St.) que nos transporta imediatamente para outro tempo, mas sem sabermos muito bem para qual em particular. Há quem diga que é a rua mais bonita de Edimburgo e a discussão só existe porque, na verdade, há mesmo muitas ruas incríveis.

A fachada colorida com que somos brindados é vulgarmente associada a Harry Potter e em particular à Diagon Alley dos livros e filmes do pequeno mago. Há quem tenha a “certeza” de que foi nesta rua que J.K Rowling bebeu inspiração para tal criação. Há quem não tenha, mas isso é verdadeiramente irrelevante já que a realidade não fica, em nada, aquém de qualquer rasgo de imaginação.

Fotograficamente são tantos os assuntos possíveis que enumerar cada um deles seria uma tarefa inglória. Lojas, cores, fachadas, a própria estrada, as pessoas, a envolvente, enfim, tanto para explorar.

Não é o sítio ideal para colocar tripés e fazer uma grande cena só porque achamos que temos esse direito. Não o temos, na verdade! Procure ser discreto(a) e pouco intrusivo(a), sobretudo se quiser guardar algumas fotografias do interior de algumas extraordinárias lojas desta rua. Se não tem a certeza de poder fotografar, pergunte. Se só vai entrar na loja para fotografar, evite-o!

Um terraço de nível superior foi criado no lado norte da rua e proporciona extraordinárias perspectivas para fotografar uma panorâmica e para abordagens mais originais a cada quadro.

Por hoje é tudo! Fiquem atentos que a segunda parte sairá em breve.

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