Uma das formas com que o Estado Novo português se procurava afirmar positivamente na sua “maturidade” era referir a sua postura relativamente aos conflitos mundiais.

Ao contrário da Primeira República, procurou navegar nas águas da neutralidade e proteger o país de aventuras desnecessárias na segunda guerra mundial. Nem mesmo a invasão de Timor pelos japoneses, ou a aceitação de uma base aliada nos Açores, alterariam significativamente as coisas. Os males da guerra eram invocados e fizeram-se pelo território alguns simulacros de defesa de ataques terrestres, aéreos e até com gás.

A guerra estava longe, mas importava esclarecer que podia, apesar de tudo, chegar a qualquer momento.

Curiosamente, nessa Europa devastada por bombardeamentos aéreos, António Passaporte fotografava em 1944, para a Câmara Municipal de Lisboa, padrões de calçada que pareciam alvos para pontaria de aviadores.